Nunca me senti uma verdadeira anónima na blogosfera. Nunca neguei a ninguém que tinha um blog, mas também não o andava a divulgar aos quatro ventos. Nunca me censurei a visitar a página ou escrever uma publicação por ter mais pessoas ao meu lado. A única coisa que realmente faltava era verem-me o rosto.
Na verdade, eu não considero ninguém aqui na blogosfera um anónimo. Anónimos, para mim, são aqueles que comentam sem nome, sem identidade, uma pergunta, uma critica, um elogio, e nem nome deixam. Mas nós não somos assim: nós expomos as nossas ambições e paixões, nós revelamos partes muito especiais da nossa identidade, nós partilhamos as preocupações, desde as pequenas moínhas na cabeça até aos dilemas insolúveis. Isso, portanto, não faz de nós anónimos, faz de nós humanos.
Um dos maiores receios de quem é anónimo, é o medo que alguém leia o seu blog. Tanto alguém que já conhece e que sabe que está exposto, como alguém que não conhece tão bem, mas que segue as suas palavras ao minuto. Têm medo que as pessoas, de facto, saibam detalhes das suas vidas, sejam sentimentos, desilusões ou momentos. Parece que têm medo que as pessoas saibam que sentem. "Eu não fazia ideia de que a X se sentia daquela forma" é mentira. O que ela quer dizer é "Eu não fazia ideia de que a X podia sentir isto sequer. Ela nunca o revelou, cá fora". E temos de sentir o que está enquadrado no nosso ambiente. Se estivermos felizes quando toda a gente está triste, algo se passa. E é por isso que valorizamos tanto o anonimato.
Nunca senti este receio e, por isso, tão fácil foi para mim sair dele, como também foi fácil perceber que era ridículo manter-me assim. Não julgo quem seja ou tivesse sido anónimo, muito pelo contrário, mas julgo-me a mim por me ter mantido. Não fazia sentido. Aquilo que sou no blog é o que sou fora dele, cada átomo de mim. As mesmas ambições, as mesmas paixões, as mesmas opiniões. Continuo a gostar das mesmas cores cá fora.
Sempre dei a cara e assumi a responsabilidade por todas as minhas decisões e opiniões. Nunca me escondi para as dizer, nunca me senti mal por as dizer. E, por isso, sei que nunca me irei sentir mal também se alguém que conheço (seja de que forma for) leia as minhas opiniões, as minhas paixões, quer concorde ou não. Eu assumo-as.
O meu objectivo, desde sempre, quando criei um blog, foi poder criar um caminho feliz nele. Criar um sítio onde me sentisse bem em aqui estar e partilhar os meus pensamentos. Raramente (muito raramente) foquei o meu blog com publicações de raiva e ódio, ou descrevi uma inteira desilusão com outra pessoa, ou exortei as minhas tristezas para a rede. Quanto muito falei sobre cansaço, sobre saudade, mas nunca sobre ódio, sobre não gostar de alguém, sobre não ter achado este dia fabuloso. Mesmo que seja bom transpor as emoções para as ver de uma perspectiva exterior, não era o que queria. Queria um blogue em que entrasse e pensasse "o meu dia valeu a pena por ter lido isto". Algo que fizesse rir, pensar, imaginar. E, também por isso, não me custou nada sair do anonimato. Tenho muitos dias chatos, muitas pessoas com quem choco e algumas desilusões. Mas o meu blogue não é o espaço de manifesto e continuo a achar que, a desentendimento haver, eu resolvo com a própria pessoa. Só ela é que deve saber como me sinto em relação a isso. E quero manter esta minha teoria.
Dos meus dois Teoremas mais o Bobby Pins, este é aquele que mais me tem deixado feliz e tem sido o meu favorito. Apesar de os Teoremas que pelas minhas mãos passaram conterem inúmeros momentos muito felizes da minha vida, sinto que o Bobby Pins é finalmente o meu espelho completo, o sítio onde eu verdadeiramente acredito que vou ser feliz e encontrar coisas felizes. É o que sou, com uma face, sem deixar de ser fiel a mim mesma. Quem me conhecer e encontrar este canto, pensará "isto é a Inês, sem tirar nem pôr. Estou a imaginá-la dizer isto" e quem não me conhecer, lá terá oportunidade para o fazer. E quem "cuscar" sem saber o meu blogue? Estará à vontade, porque não posso fugir ao que acredito.
Não acho que saber os rostos dos outros ou a cor do cabelo e dos olhos faz a diferença na qualidade ou na presença de personalidade de um blogue - nem é isso que queria mostrar neste post -. Para mim, são pormenores quase irrelevantes. Mas saber que posso agora operar o Bobby de forma a que faça parte de mim dá-me uma outra liberdade que me traz conforto, descontracção e alegria em escrever. De uma forma muito resumida, é apenas uma vantagem pessoal.
Estou muito satisfeita com este blogue à medida que o tenho escrito e também muito satisfeita por vos dizer quem sou, Inês, mesmo que alguns já o soubessem (porque, lá está, eu nunca fui uma anónima de gema) e espero que vocês também consigam ver a alegria que exteriorizo aqui através das minhas palavras. Tenha eu os meus olhos verdes ou não!